O
artigo desta semana pretende desmistificar o conceito de peso. Isto porque a
verdade é que o peso não diz absolutamente nada sobre a composição física de
cada um de nós.
A imagem corporal é um conceito
multidimensional que envolve todos os aspectos pelos quais o indivíduo
percebe, conceitua e vivencia o seu corpo. A autopercepção do peso corporal é
cada vez mais uma preocupação na sociedade actual muito à custa dos padrões
impostos pela mesma e que, maioritariamente, se relacionam com hábitos alimentares desadequados, fazendo as
pessoas a restringir alimentos necessários para o adequado funcionamento do
organismo, ocasionando problemas comportamentais e de saúde.
Por
isso, é que antes de qualquer atitude que tome deve ter como o foco primordial "a
saúde" e não "o peso". Enquanto o peso for a motivação
principal, existirão sempre falhas que levem à sua recuperação. Isto porque o
peso é apenas "uma medida de massa", é só o número que aparece na
balança e ao qual é dada uma grande e errada importância. Vejamos...
Nós não somos o nosso peso, somos sim a nossa
composição física em gordura, músculo, osso, sangue, água, conteúdo alimentar, conteúdo
fecal, etc.
O
peso é uma medida muito imprecisa do nosso corpo, não é por
acaso que o nosso peso varia ao longo do dia porque afinal tudo isto é o
resultado do que "entra", "é consumido" e "sai"
do nosso organismo.
E fica já a dica, quando se pesar
faça-o tente fazê-lo sempre nas mesmas condições (por exemplo, sempre vestida
ou sempre despida, por volta da mesma hora preferencialmente depois de acordar).
Assim, o importante é preocupar-se no que
constitui o nosso corpo: massa gorda vs. massa magra e na forma de melhorar este
rácio.
Isto porque duas pessoas com o mesmo
peso podem ter composições corporais totalmente distintas. Até pode ter o peso
ideal para a sua altura mas esse peso ser maioritariamente massa gorda e não é
isso que se pretende.
Portanto, o que realmente interessa
não é o peso, mas sim a massa gorda e a sua distribuição.
Claro
que para além dos cuidados com a alimentação, a prática de atividade
física
é essencial. Não há músculo que se forme sem exercício, embora possa haver
gasto de massa gorda.
A importância da relação entre a alimentação
e o exercício é muito grande porque gastar massa gorda só com recurso a
alimentação pode causar perda de músculo e água, e, assim efeitos inestéticos
como flacidez, celulite e rugas.Ou
seja, a pessoa fica menos pesada, mas não necessariamente mais saudável.
A
cada ano que passa, novas abordagens para a redução dos “quilos indesejados”
estão disponíveis para o consumidor através dos anúncios publicitários, rádio,
televisão, testemunhos de famosos ou dos seus ídolos que apresentam o “corpo
perfeito”.
A
maioria desses programas e produtos ditos “emagrecedores”, “redutores de
apetite” conduzem a restrições alimentares ou a jejuns. A médio e longo prazo
estas dietas não são sustentáveis porque levam a deficiências nutricionais. E a
prova de não serem sustentáveis está no facto de a maioria das pessoas as
abandonarem poucas semanas depois. As dietas que enfatizam resultados rápidos
com o minímo esforço incitam expectativas não realistas, sujeitando a pessoa ao
fracasso, sentimentos de culpa e de inutilidade sempre que se trata de um
problema relacionado à massa corporal.
Importante
salientar que os programas de perda de massa corporal com algum grau de sucesso
integram, frequentemente, mudanças alimentares e exercício fisíco com mudança
de comportamento, (re)educação nutricional e apoio psicológico.
Procure
adoptar hábitos saudáveis e praticar exercício físico e não se esqueça que o
álcool e os alimentos ricos em açúcar devem ser limitados como fontes
desnecessárias de energia; contudo, pequenas quantidades, esporadicamente,
podem ser incluídas para melhorar a palatibilidade.
Trata-se
tudo de uma questão de moderação e controlo das porções a consumir.
Andreia Margato
Dietista Estagiária no 4º Ano da Licenciatura em Dietética e
Nutrição da Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra (ESTESC)

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